BrasilDoenças inflamatórias intestinais podem crescer 67% até 2035, aponta estudo

Doenças inflamatórias intestinais podem crescer 67% até 2035, aponta estudo

O número de brasileiros que vivem com doenças inflamatórias intestinais (DII) aumentou mais de cinco vezes entre 2012 e 2025. A prevalência passou de 30 para 158 casos a cada 100 mil habitantes no período.

Entre as doenças que fazem parte desse grupo estão a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa, condições crônicas que provocam inflamações no sistema digestivo.

Os dados fazem parte de um estudo apresentado no 74º Congresso Brasileiro de Coloproctologia, realizado em Balneário Camboriú (SC) até este sábado (26).

Além do aumento da quantidade de pessoas convivendo com as doenças, os pesquisadores identificaram crescimento nos novos diagnósticos. A incidência anual passou de 9,35 para 12,34 novos casos por 100 mil habitantes entre 2012 e 2025.

O levantamento utilizou registros do Sistema Único de Saúde (SUS).

O que são as doenças inflamatórias intestinais?

As DII são doenças autoimunes. Nesses casos, uma resposta inadequada do sistema imunológico contribui para um processo crônico de inflamação no organismo.

Doença de Crohn e retocolite ulcerativa estão entre as principais condições desse grupo.

As causas ainda não são totalmente conhecidas. Segundo Abel Quaresma, pesquisador da Universidade do Oeste de Santa Catarina (Unoesc) e membro da Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP), diferentes fatores podem estar envolvidos no desenvolvimento das doenças.

“A gente não sabe o fator causal ainda. A gente sabe que são doenças multifatoriais. Tem a genética, a poluição, os hábitos alimentares. Nossa dieta mudou muito nos últimos anos”, explica.

O estudo foi desenvolvido por Quaresma e Paulo Kotze, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), em parceria com pesquisadores de instituições brasileiras e internacionais, entre elas USP, Unicamp e Universidade de Calgary, no Canadá.

Alimentação e fatores ambientais estão no radar

Além da predisposição genética, os pesquisadores investigam a influência de fatores ambientais.

Quaresma chama atenção especialmente para as mudanças nos hábitos alimentares e para o consumo de produtos ultraprocessados.

Esses alimentos podem conter diferentes aditivos, como conservantes, corantes e espessantes. Segundo o pesquisador, essas substâncias estão entre os fatores estudados por sua possível relação com processos inflamatórios.

A existência de múltiplos fatores também ajuda a explicar por que uma alteração genética isolada não é suficiente para justificar todos os casos: nem todas as pessoas diagnosticadas apresentam as variações genéticas já associadas às DII.

Número de casos pode continuar aumentando

Os pesquisadores estimam que a incidência anual possa chegar a 22,7 novos casos por 100 mil habitantes em 2035.

Se a tendência projetada se confirmar, a prevalência poderá alcançar 264 pessoas com doenças inflamatórias intestinais para cada 100 mil habitantes naquele ano.

O número representaria crescimento de aproximadamente 67% em relação aos 158 casos por 100 mil registrados em 2025.

“São doenças que até por volta de 2015 eram consideradas doenças raras. E que estão tendo um boom em todo o mundo, inclusive no Brasil”, afirma Quaresma.

Segundo o pesquisador, a projeção é que, a partir de 2040, essas condições possam representar um problema de saúde pública comparável, em impacto, a doenças crônicas como hipertensão e diabetes.

Tratamento pode acompanhar paciente por décadas

As doenças inflamatórias intestinais não têm cura atualmente. O tratamento busca controlar a inflamação, reduzir os sintomas e manter a doença sob controle.

Esse acompanhamento pode se estender por décadas, principalmente porque parte dos pacientes recebe o diagnóstico ainda jovem.

De acordo com Quaresma, determinados tratamentos podem chegar a R$ 500 mil por ano por paciente.

“São pacientes que, muitas vezes, são diagnosticados ainda jovens e que precisarão de acompanhamento por décadas”, afirma.

Com informações da Agência Brasil

Continue Lendo

ÚLTIMAS NOTÍCIAS