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Engajamento de homens ainda é desafio no combate à violência contra a mulher

Grupos de apoio, rodas de conversa, campanhas e programas educativos vêm ganhando espaço no Brasil com o objetivo de envolver mais homens no enfrentamento à violência contra a mulher. Apesar dos avanços, especialistas apontam que a participação masculina ainda é considerada baixa diante da dimensão do problema

Brasília (DF), 24/04/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Combate ao machismo estrutural. Psicólogo Flávio Urra. Foto: Flávio Urra/Arquivo pessoal
Psicólogo Flávio Urra diz que homens, de modo geral, não se consideram responsáveis pelo machismo – Foto: Flávio Urra/Arquivo pessoal

O psicólogo Flávio Urra destaca que ampliar esse engajamento é urgente. Segundo ele, muitos homens não se reconhecem como parte do problema, o que dificulta o debate e a mudança de comportamento.

Programas buscam responsabilização e mudança de comportamento

Uma das estratégias é o acompanhamento de homens autores de violência, previsto na Lei Maria da Penha. Esses programas promovem encontros periódicos com foco na reflexão e na responsabilização.

No projeto E Agora, José?, por exemplo, participantes passam por cerca de 20 encontros. Ao final, muitos relatam mudanças na forma de agir dentro de casa e nos relacionamentos.

Resistência ainda é um obstáculo

Segundo especialistas, comportamentos como negar

Brasília (DF), 24/04/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Combate ao machismo estrutural. O consultor de empresas Felipe Requião atua há sete anos como facilitador de grupos de homens. Foto: Felipe Requião/Arquivo pessoal
O consultor de empresas Felipe Requião atua há sete anos como facilitador de grupos de homens – Foto: Felipe Requião/Arquivo pessoal

 responsabilidade, minimizar situações ou se colocar como vítima ainda são comuns entre homens, especialmente em ambientes corporativos e sociais.

O consultor Felipe Requião aponta que parte dessa resistência está ligada ao medo de perda de espaço e privilégios. Por isso, ele defende que o processo de mudança precisa ser contínuo, e não pontual.

Espaços de escuta e apoio crescem

Além de iniciativas presenciais, também surgem espaços online voltados ao acolhimento e à reflexão. O terapeuta Alexandre Coimbra Amaral mantém, desde 2017, um ambiente virtual gratuito para homens discutirem masculinidades e questões emocionais.

Segundo ele, a transformação começa quando os homens conseguem reconhecer e expressar suas próprias dores.

Campanhas incentivam protagonismo masculino

O movimento Instituto Laço Branco Brasil é um dos exemplos de mobilização voltada ao público masculino. A campanha incentiva homens a atuarem como agentes de mudança no combate à violência.

A iniciativa inclui ações educativas contínuas e a formação de multiplicadores, além de reforçar datas como o Dia Nacional de Mobilização dos Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres.

Educação é chave para transformação

Nas escolas, programas como o Maria da Penha Vai à Escola trabalham a conscientização desde cedo, envolvendo estudantes, professores e famílias.

Brasília (DF), 24/04/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Combate ao machismo estrutural. Psicóloga e pesquisadora Valeska Zanello. Foto: Valeska Zanello/Arquivo pessoal
Psicóloga e pesquisadora Valeska Zanello destaca o papel da escola nas transformações sociais – Foto: Divulgação/Arquivo pessoal

A pesquisadora Valeska Zanello destaca que já existem boas práticas no país, mas é necessário ampliar e compartilhar essas experiências para fortalecer os resultados.

Caminho passa pela construção coletiva

Especialistas defendem que o enfrentamento ao machismo exige a participação conjunta de homens e mulheres. Para o orientador familiar Peu Fonseca, o diálogo deve ocorrer em espaços integrados, promovendo troca de experiências e construção coletiva de soluções.

Com informações da Agência Brasil

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