Várias mulheres palestinas que conseguiram retornar à Faixa de Gaza descreveram o caminho de volta como uma experiência marcada por humilhação, interrogatórios prolongados e tratamento degradante ao longo do posto fronteiriço de Rafah, na fronteira entre Egito e o território palestino.
Os relatos foram feitos por algumas das poucas pessoas autorizadas a cruzar a fronteira depois que Israel permitiu a reabertura limitada da passagem de Rafah, parte de um acordo de cessar-fogo. Huda Abu Abed, de 56 anos, falou por telefone desde a tenda onde sua família está abrigada em Khan Younis, no sul de Gaza, descrevendo a travessia como uma “jornada de horror, humilhação e opressão”.
Longos atrasos, procedimentos de segurança e confisco de pertences
As mulheres relataram que a viagem, que começou no Egito, foi marcada por longas esperas e fiscalização rigorosa das forças israelenses e milícias aliadas que controlam a “linha amarela” no meio da zona fronteiriça. Segundo os relatos, durante os procedimentos de segurança, viajantes tiveram seus olhos vendados, foram algemados e interrogados sobre seus motivos para entrar em Gaza. Alguns também disseram que presentes e itens pessoais, inclusive brinquedos, foram confiscados.
Em alguns casos, a separação de familiares e os interrogatórios foram descritos como “tentativas de pressionar psicologicamente” as pessoas antes de liberá-las para entrar no enclave.
Número limitado de retornos e espera prolongada
Apesar de cerca de 50 pessoas estarem previstas para entrar na Faixa de Gaza no primeiro dia de reabertura, apenas uma pequena fração conseguiu fazê-lo — incluindo três mulheres e nove crianças — enquanto dezenas de outros permaneciam à espera de serem liberados após os procedimentos de segurança.
A reabertura da fronteira representa um alívio para muitos que se encontram no Egito há meses sem documentação nem acesso pleno a serviços básicos, mas a experiência de retorno, segundo essas mulheres, foi marcada por três desafios simultâneos: a demora no processo, a sensação de vulnerabilidade diante dos agentes que conduzem as inspeções e o impacto psicológico de serem separadas e questionadas intensamente antes de voltarem para suas casas.
Contexto humanitário
A reabertura de Rafah ocorreu em meio a um contexto de bloqueios e restrições que limitaram a movimentação de civis desde que a fronteira foi fechada durante a guerra e os meses seguintes. Muitos palestinos vivem em abrigos improvisados, com acesso precário a alimentos, água potável, medicamentos e assistência médica, o que torna ainda mais urgente a necessidade de passagem segura e eficiente para aqueles que aguardam a reunificação com suas famílias ou tratamento médico fora de Gaza
Fonte: Agência Brasil

