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Pesquisa revela avanço na documentação de PcDs, mas expõe barreiras para conseguir emprego

Ter a documentação necessária para concorrer a vagas destinadas a pessoas com deficiência (PcD) deixou de ser uma barreira para a maioria dos profissionais. Ainda assim, conseguir um emprego permanece um desafio: 38% estão desempregados.

Os dados fazem parte da nova edição da Pesquisa Nacional PcD, realizada pela Catho. O levantamento mostra que 91,4% dos entrevistados já possuem os documentos necessários para participar de processos seletivos específicos para esse público.

O percentual representa um salto em relação a 2025, quando apenas 57,7% afirmavam estar com a documentação regularizada. Em um ano, o avanço foi de 33,7 pontos percentuais.

Os números indicam, porém, que superar a etapa burocrática não significa necessariamente conseguir uma vaga. Mesmo com a documentação mais acessível, mais de um terço dos participantes da pesquisa permanece fora do mercado de trabalho.

Para Patrícia Suzuki, diretora de RH da Redarbor Brasil, grupo responsável pela Catho, as empresas precisam avançar para além das exigências documentais.

“O crescimento no número de profissionais que já possuem a documentação mostra que essa etapa vem sendo cada vez mais superada pelos candidatos. No entanto, a inclusão profissional não termina no acesso ao laudo”, afirma.

Segundo Suzuki, é necessário oferecer vagas compatíveis com as competências dos candidatos e desenvolver processos seletivos acessíveis, claros e capazes de avaliar o potencial dos profissionais.

Laudo também pesa no bolso

Outro obstáculo identificado pela pesquisa está no custo para conseguir a documentação. Entre os participantes, 38,81% disseram ter desembolsado dinheiro para obter o laudo médico.

Na prática, isso significa que parte dos candidatos precisa assumir uma despesa antes mesmo de conseguir disputar determinadas oportunidades de trabalho destinadas a pessoas com deficiência.

O documento pode ser necessário para o enquadramento em vagas relacionadas à Lei de Cotas, que estabelece a contratação de pessoas com deficiência ou beneficiários reabilitados da Previdência Social por empresas que se enquadram nos critérios previstos na legislação.

Empregados também procuram novas vagas

A movimentação dos profissionais PcD no mercado não está restrita a quem está desempregado.

Entre aqueles que atualmente possuem emprego, 30,17% afirmaram estar procurando uma nova oportunidade.

O cenário mostra profissionais em diferentes momentos da carreira: enquanto uma parcela busca entrar ou retornar ao mercado, outra procura mudar de emprego e encontrar novas possibilidades profissionais.

“Os dados mostram que os profissionais com deficiência estão se movimentando e buscando oportunidades, mas a inclusão precisa acompanhar toda essa jornada”, destaca Suzuki.

Para ela, isso passa pela ampliação das vagas disponíveis, pela acessibilidade dos processos seletivos e por uma avaliação que considere competências, experiências e objetivos profissionais.

A Catho avalia que acompanhar indicadores sobre esse público também ajuda a identificar obstáculos que permanecem no mercado e a orientar iniciativas para aumentar a participação de pessoas com deficiência no emprego formal.

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