Há pouco mais de um mês, profissionais da área da saúde que atuam em um programa de residência no Distrito Federal passaram a vivenciar uma realidade que exige adaptação constante e novos olhares sobre o cuidado. A experiência tem provocado reflexões sobre a necessidade de flexibilizar práticas e reinventar abordagens no atendimento.
O grupo integra a Residência Multiprofissional em Atenção Básica com Ênfase em Práticas Integrativas, iniciativa vinculada à rede pública de saúde do DF. Neste semestre, o campo de atuação dos residentes é uma Unidade Básica de Saúde Prisional localizada no Complexo Penitenciário da Papuda, ambiente que apresenta desafios específicos para a promoção da saúde.
O programa se destaca por ser um dos poucos no país com foco em práticas integrativas em saúde e o primeiro a incluir o sistema prisional como cenário de formação. A experiência tem ampliado a compreensão dos profissionais sobre formas de cuidado mais acessíveis e adaptadas à realidade das pessoas privadas de liberdade, valorizando intervenções simples, mas com impacto significativo no dia a dia.
Criado em 2025 e com duração de dois anos, o programa reúne atualmente residentes em diferentes estágios da formação, incluindo profissionais de áreas como nutrição, farmácia, fisioterapia, terapia ocupacional e educação física. A inclusão do ambiente prisional foi possível por meio de parcerias institucionais que permitiram estruturar o atendimento dentro das unidades penais.
A atuação no local tem contribuído tanto para a formação dos residentes quanto para o fortalecimento da assistência à saúde no sistema prisional. A presença dos profissionais amplia as possibilidades de cuidado e diversifica as estratégias de atenção primária, com foco na promoção da saúde e na autonomia dos pacientes.
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Entre as abordagens adotadas, as práticas integrativas ganham destaque por estimular o autocuidado e oferecer alternativas complementares ao tratamento convencional. Técnicas voltadas à redução do estresse e ao bem-estar têm sido aplicadas com bons resultados e, muitas vezes, são compartilhadas entre os próprios internos, ampliando o alcance das ações.
Reconhecidas pela Organização Mundial da Saúde como parte das medicinas tradicionais, complementares e integrativas, essas práticas são regulamentadas na rede pública do DF desde 2014. Elas integram um conjunto de estratégias voltadas à promoção da saúde de forma mais ampla e humanizada.
No sistema prisional do Distrito Federal, a assistência em saúde é organizada por meio de unidades básicas instaladas dentro dos estabelecimentos penais, responsáveis por coordenar o atendimento à população privada de liberdade. Ao todo, são dez unidades que funcionam como porta de entrada para os serviços de saúde nesse contexto.
Como parte do aprimoramento das ações, também foi implantado recentemente um horto agroflorestal medicinal em área próxima às unidades prisionais. A iniciativa busca incentivar o cultivo de plantas com potencial terapêutico, contribuindo para o bem-estar de internos e servidores, além de fortalecer práticas sustentáveis dentro do sistema.
A experiência tem demonstrado que, mesmo em contextos desafiadores, é possível ampliar o acesso à saúde com estratégias inovadoras, reforçando o papel da atenção básica e das práticas integrativas na construção de um cuidado mais inclusivo e eficaz.
*Com informações da Agência Brasília

