Pesquisa revela aumento de sofrimento emocional entre jovens e acende alerta para famílias, escolas e autoridades
A saúde mental de adolescentes brasileiros tem gerado preocupação crescente. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSe), divulgada pelo IBGE, mostram que três em cada dez estudantes entre 13 e 17 anos se sentem tristes sempre ou na maior parte do tempo.
O levantamento, realizado em 2024 com mais de 118 mil alunos de escolas públicas e privadas de todo o país, também aponta que uma proporção semelhante já teve vontade de se machucar de propósito — um sinal de alerta importante sobre o bem-estar emocional dessa faixa etária.
Sentimentos negativos são frequentes entre jovens
Além da tristeza constante, o estudo revela que 42,9% dos adolescentes se sentem irritados, nervosos ou mal-humorados com frequência. Já 18,5% afirmaram que pensam, na maior parte do tempo, que a vida não vale a pena ser vivida.
Outro dado preocupante é a sensação de abandono: 26,1% dos estudantes disseram sentir que ninguém se preocupa com eles. A pesquisa também mostra dificuldades no ambiente familiar — mais de um terço acredita que os pais ou responsáveis não entendem seus problemas, e 20% relataram ter sofrido agressão física dentro de casa ao menos uma vez no último ano.
Meninas são mais afetadas
Os indicadores são mais elevados entre as meninas. Segundo a pesquisa, 41% delas relatam tristeza frequente, contra 16,7% dos meninos. A vontade de se machucar também é mais comum entre o público feminino, assim como sentimentos de irritação, baixa autoestima e falta de compreensão por parte da família.
Especialistas apontam que essas diferenças reforçam a necessidade de políticas públicas e ações específicas voltadas à saúde mental de meninas e jovens mulheres.
Autoagressão e bullying agravam cenário
O estudo estima que cerca de 100 mil estudantes brasileiros tiveram algum tipo de lesão autoprovocada no período analisado. Entre esses jovens, os índices de sofrimento emocional são ainda mais altos.
A maioria relata sentimentos constantes de tristeza e irritação, além de não enxergar sentido na vida. Também há maior incidência de bullying entre esse grupo, fator que contribui para o agravamento do quadro.
Falta de apoio nas escolas
Apesar da gravidade dos dados, o acesso a suporte psicológico nas escolas ainda é limitado. Menos da metade dos estudantes frequenta instituições que oferecem algum tipo de atendimento nessa área. A diferença entre redes também chama atenção: o suporte está presente em 58,2% das escolas privadas e em apenas 45,8% das públicas.
A presença de profissionais de saúde mental no ambiente escolar é ainda mais restrita, alcançando pouco mais de um terço dos alunos.
Insatisfação com o corpo cresce entre adolescentes
A pesquisa também aponta queda na satisfação com a própria imagem corporal. O índice caiu de 66,5% em 2019 para 58% em 2024.
Entre as meninas, a situação é mais preocupante: mais de um terço se declara insatisfeita com a aparência. Mesmo quando não apresentam sobrepeso, muitas relatam tentativa de emagrecimento, evidenciando pressão estética e impacto na autoestima.
Onde buscar ajuda
Diante de sinais de sofrimento emocional, é fundamental procurar apoio. O Ministério da Saúde orienta que adolescentes e familiares busquem ajuda em redes de apoio, como amigos, escola e serviços de saúde.
Entre os locais de atendimento estão:
- Centros de Atenção Psicossocial (Caps)
- Unidades Básicas de Saúde (UBS)
- UPAs, hospitais e pronto-socorros
- Serviço de emergência (SAMU 192)
Também é possível buscar apoio gratuito e sigiloso no Centro de Valorização da Vida, pelo telefone 188 ou por chat online, disponível 24 horas por dia.
Com informações da Agência Brasil

