Distrito FederalSegurança pública do DF avança com plano de equidade de gênero

Segurança pública do DF avança com plano de equidade de gênero

Proposta estruturada em quatro eixos foi debatida com gestores e seguirá para avaliação sobre o instrumento jurídico mais adequado para implementação

As integrantes do Conselho das Mulheres da Segurança Pública apresentaram aos gestores das forças de segurança do Distrito Federal, nesta quarta-feira (25), uma proposta do Plano de Equidade de Gênero. O documento estabelece diretrizes voltadas à prevenção e ao enfrentamento de práticas como assédio, discriminação e violência institucional, além de promover uma cultura organizacional baseada na ética, no respeito e na valorização das mulheres das instituições.

A proposta tem caráter estratégico e propositivo, e será analisada pelas instituições quanto à melhor forma de implementação. Entre as possibilidades em avaliação estão a formalização por meio de portaria conjunta, decreto ou outro instrumento normativo que assegure integração, alinhamento institucional e continuidade das ações.

O secretário de Segurança Pública, Sandro Avelar, destacou que a iniciativa representa um avanço na consolidação de políticas estruturantes voltadas à valorização das profissionais.“Estamos avançando na construção de uma cultura em que a presença das mulheres nos espaços de decisão seja cada vez mais natural. Enquanto isso não acontece de forma plena, é fundamental promover políticas que induzam esse movimento e ampliem a participação feminina nas instituições”, afirmou.

Construção coletiva

A proposta foi elaborada a partir de um processo de escuta e construção conjunta entre conselheiras e representantes das forças de segurança, e agora entra em fase de avaliação institucional. A presidente do Conselho das Mulheres e Subsecretária de Prevenção à Criminalidade, Regilene Siqueira, ressaltou o caráter estruturante do plano. “Estamos apresentando um instrumento estratégico construído de forma coletiva, alinhado ao princípio da equidade. A proposta é fortalecer a gestão de pessoas, melhorar o ambiente institucional e refletir diretamente na qualidade do serviço prestado à população”, destacou.

A proposta foi elaborada a partir de um processo de escuta e construção conjunta entre conselheiras e representantes das forças de segurança, e agora entra em fase de avaliação institucional | Foto: Divulgação/SSP-DF

O secretário-executivo Alexandre Patury reforçou que a proposta enfrenta uma questão estrutural e histórica. “Não se trata de cota, mas de justiça. A equidade de gênero qualifica a tomada de decisão e aproxima as instituições da realidade da sociedade que atendem”, pontuou.

Eixos estruturantes

O plano está organizado em quatro eixos estratégicos: formação, que inclui capacitação e desenvolvimento de lideranças femininas; carreira, que foca na ampliação de oportunidades e participação em cargos de gestão; saúde, que é a promoção do bem-estar físico e mental; e integridade, que inclui a prevenção e enfrentamento ao assédio e à discriminação.

A proposta também prevê mecanismos de monitoramento e avaliação, respeitando as especificidades de cada instituição.

 

Contribuições

Durante a reunião, representantes das forças destacaram a relevância da iniciativa e a necessidade de consolidá-la com instrumentos normativos robustos.

Já o secretário-executivo de Gestão Integrada da SSP-DF, Thiago Costa, reforçou o papel do Conselho como espaço de fortalecimento institucional. “O Conselho amplia a capacidade de transformar demandas individuais em avanços coletivos, fortalecendo a garantia de direitos e incentivando a participação feminina nas estruturas de decisão”, afirmou.

O secretário-executivo institucional e de Políticas de Segurança Pública, Paulo André Vieira Monteiro, destacou o caráter histórico da proposta. “Estamos diante de uma entrega concreta, com potencial de impacto para além do Distrito Federal. É um avanço que já se inscreve na história das instituições”, disse.

O delegado-geral da Polícia Civil, José Werick, ressaltou a importância de garantir continuidade à política. “Uma iniciativa dessa magnitude precisa de instrumentos sólidos para assegurar sua permanência. Mais do que cumprir percentuais, o desafio é consolidar o protagonismo feminino nos espaços de liderança”, afirmou.

Representando a Polícia Penal, Simone Caetano, enfatizou a importância da aplicação prática do plano. “Temos avançado na presença feminina, inclusive em funções de liderança. O desafio agora é fortalecer essa atuação, considerando as especificidades do público que atendemos e garantindo um serviço mais humano e eficiente”, destacou.

Próximos passos

A proposta segue agora para análise das instituições de segurança pública, que irão avaliar a melhor forma de incorporação do plano às estruturas. A expectativa é que, a partir desse processo, sejam definidos prazos, metas e mecanismos de implementação, respeitando as particularidades de cada força.

Banco de talentos

Durante a reunião, Avelar ressaltou a importância da participação das mulheres no banco de talentos — Delas. O objetivo é identificar, valorizar e dar visibilidade às competências femininas nas instituições que compõem o sistema de segurança do DF.

“O Banco de Talentos é um instrumento construído a partir das próprias demandas das mulheres da segurança pública e, por isso, precisa ser efetivamente utilizado. Decidimos manter o cadastro aberto, sem prazo de encerramento, justamente para garantir dinamismo e ampliar a participação. A orientação é que todas se inscrevam e levem essa política a sério, porque ela foi pensada para identificar, valorizar e impulsionar lideranças dentro das instituições. Nosso compromisso é ouvir, respeitar e transformar essas contribuições em ações concretas”, concluiu Avelar.

Conselho

O Conselho foi instituído em 2024, juntamente à Política das Mulheres na área de Segurança Pública do Distrito Federal. As reuniões ocorrem mensalmente.

Fonte: Agência Brasília

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