A taxa de detecção de sífilis adquirida cresceu 96,7% no Distrito Federal entre 2021 e 2025, praticamente dobrando em cinco anos. No período, o indicador passou de 69,4 para 136,5 casos por 100 mil habitantes.
Os números fazem parte do novo Boletim Epidemiológico da Sífilis, divulgado pela Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) durante as ações do Outubro Verde, mês dedicado à conscientização e ao enfrentamento da doença.
O levantamento mostra que o avanço não ocorreu da mesma forma em todos os grupos. Homens concentram a maior parte dos diagnósticos, em uma proporção aproximada de dois casos masculinos para cada feminino.
Jovens entre 20 e 29 anos estão entre os mais atingidos. As regiões de saúde Oeste e Sul também aparecem com maior ocorrência da infecção.
Sífilis entre gestantes também aumentou
Outro indicador que chama atenção envolve mulheres grávidas.
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Entre 2021 e 2025, a taxa de detecção de sífilis em gestantes aumentou 47,5%. No último ano analisado, chegou a 38,5 casos para cada mil nascidos vivos.
Somente em 2025, 1.342 gestantes foram diagnosticadas com a infecção no Distrito Federal.
Os dados também apontam avanços no acompanhamento durante a gravidez. Mais da metade das notificações, 51,9%, ocorreu ainda no primeiro trimestre, período importante para iniciar o tratamento e reduzir o risco de transmissão para o bebê.
Além disso, 93,4% das gestantes diagnosticadas receberam tratamento adequado com penicilina benzatina.
Sífilis congênita apresenta queda
Enquanto os diagnósticos da forma adquirida e entre gestantes aumentaram, a taxa de sífilis congênita apresentou redução de 16,7% durante o período analisado.
Em 2025, o indicador chegou a 7,5 casos para cada mil nascidos vivos.
A sífilis congênita ocorre quando a bactéria é transmitida da gestante para o bebê durante a gravidez.
Apesar da redução, o boletim aponta a permanência de casos com consequências graves. Entre os registros analisados, 16,9% tiveram como desfecho aborto, natimorto ou óbito.
O documento também chama atenção para uma redução na realização de exames complementares em recém-nascidos.
Ferida pode desaparecer sem que a infecção tenha acabado
A sífilis é causada pela bactéria Treponema pallidum. A infecção tem cura, mas pode passar por diferentes fases e permanecer durante determinados períodos sem apresentar sintomas.
Um dos sinais iniciais pode ser uma ferida única no local por onde a bactéria entrou no organismo.
Essa lesão pode desaparecer espontaneamente, mesmo sem tratamento. O desaparecimento, porém, não significa que a pessoa esteja curada.
Em outra fase, podem surgir manchas pelo corpo. Também existem períodos em que nenhum sinal é percebido e a infecção só é identificada por exames.
Sem tratamento, a sífilis pode permanecer no organismo durante anos e, em casos mais avançados, provocar complicações nos sistemas nervoso e cardiovascular.
Testagem está disponível pelo SUS
A Secretaria de Saúde recomenda o uso correto e frequente de preservativos e a realização de testes para sífilis, HIV e hepatites virais pelo menos uma vez ao ano ou após situações de exposição ao risco.
No Distrito Federal, testagem, diagnóstico e tratamento são oferecidos gratuitamente pelo SUS.
Gestantes devem iniciar o pré-natal em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) e realizar os exames indicados durante a gravidez.
Quando há diagnóstico de sífilis, a avaliação e o tratamento das parcerias sexuais também são importantes para evitar uma nova infecção e interromper a cadeia de transmissão.
Com informações da Agência Saúde

