Brasil registra número recorde de mulheres empreendedoras, que já representam 42% dos novos negócios abertos no país e avançam em mercados de alto valor agregado, como o de joias
O empreendedorismo feminino continua em expansão no Brasil e alcançou um marco histórico em 2025. Segundo dados do Sebrae, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua) e na Receita Federal, o país chegou a 10,4 milhões de mulheres à frente de negócios, o maior número desde o início da série histórica.
A força desse movimento também aparece na criação de empresas. Apenas no último ano, mais de 2 milhões de pequenos negócios foram abertos por mulheres, o equivalente a 42% de todos os novos empreendimentos registrados no período.
O crescimento reflete uma mudança no perfil do empreendedorismo brasileiro, com mulheres conquistando espaço em segmentos que historicamente tiveram predominância masculina, como o mercado de joias.
Liderança feminina transforma o setor de joias
Tradicionalmente marcado por relações de confiança e por negócios familiares, o segmento de joias tem acompanhado o fortalecimento da presença feminina em cargos de liderança.
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Além de criarem marcas próprias, empreendedoras vêm investindo em inovação, gestão profissional e estratégias voltadas à experiência do cliente, fatores que ganharam importância diante das mudanças no comportamento do consumidor.
Com mais de 26 anos de atuação no setor, a empresária Débora De Landa, fundadora da joalheria Kether, afirma que a construção de credibilidade foi essencial para consolidar sua trajetória.
“O empreendedorismo feminino deixou de ser uma exceção em muitos segmentos. Hoje vemos mulheres ocupando posições de liderança porque construíram credibilidade ao longo do tempo. Em mercados como o de joias, onde confiança é um fator decisivo, essa trajetória faz toda a diferença.”
Inovação e adaptação impulsionam crescimento
A digitalização dos negócios e a profissionalização da gestão abriram novas oportunidades para empresas lideradas por mulheres. Além da qualidade dos produtos, aspectos como atendimento personalizado, transparência e relacionamento de longo prazo passaram a influenciar cada vez mais a decisão de compra.
Segundo Débora De Landa, acompanhar as transformações do mercado foi determinante para manter a competitividade.
“Cada etapa exigiu estudar o comportamento do consumidor, entender o momento do mercado e adaptar o negócio sem perder a essência. Permanecer por tantos anos no mesmo segmento exige capacidade de evolução constante.”
Ela ressalta que, mesmo com o avanço das ferramentas digitais, a confiança permanece como um dos principais diferenciais para conquistar e fidelizar clientes.
“A tecnologia aproximou pessoas que antes estavam distantes geograficamente. Mas ela só funciona quando existe transparência. O cliente continua comprando de pessoas nas quais acredita.”
Empreendedorismo feminino impulsiona a economia
Além do aumento no número de empresas abertas por mulheres, o levantamento do Sebrae mostra que as empreendedoras alcançaram, em 2025, o maior rendimento médio da série histórica. O estudo também aponta redução gradual da diferença de renda em relação aos homens e crescimento do nível de escolaridade entre as empresárias brasileiras.
Os indicadores reforçam que o empreendedorismo feminino vem se consolidando como um dos principais motores de desenvolvimento econômico, geração de empregos e inovação no país, ampliando a presença das mulheres em diferentes setores da economia e fortalecendo sua participação no ambiente empresarial.

