BrasilMais de 90% dos acidentes com crianças podem ser evitados, aponta relatório

Mais de 90% dos acidentes com crianças podem ser evitados, aponta relatório

Quedas e queimaduras foram responsáveis por mais de 80 mil internações de crianças e adolescentes de até 14 anos no Brasil em 2025. Juntas, as duas causas representam a maior parcela das hospitalizações por acidentes analisadas pelo Projeto Criança Segura.

Foram mais de 55 mil internações provocadas por quedas, equivalentes a 43,4% do total mapeado. As queimaduras aparecem em seguida, com mais de 25 mil hospitalizações, ou 19,6%.

Os dados fazem parte de um levantamento do Projeto Criança Segura, da ONG Aldeias Infantis SOS, elaborado a partir de informações do DataSUS.

Ao longo de 2025, cerca de 1,6 milhão de pessoas de todas as idades foram hospitalizadas por acidentes no país. Desse universo, aproximadamente 162 mil internações envolveram crianças e adolescentes de até 14 anos.

O levantamento analisou 128,5 mil dessas hospitalizações.

Em média, 10,7 mil crianças e adolescentes dessa faixa etária precisaram ser internados a cada mês devido a acidentes.

Internações aumentaram nos últimos anos

O estudo identificou uma tendência de crescimento das hospitalizações infantis provocadas por acidentes.

De 2023 para 2024, o aumento foi de 2,2%. Já entre 2024 e 2025, a alta chegou a 5,4%.

Considerando todo o período entre 2023 e 2025, foram 9.221 hospitalizações a mais, crescimento acumulado de 7,7%.

As intoxicações apresentaram o maior avanço no último ano analisado, com aumento de 19,7%. Em seguida aparecem sufocações, com alta de 10,8%, e queimaduras, com 7,4%.

Os acidentes envolvendo armas de fogo foram a única categoria a apresentar redução, de 13,6%.

Acidentes de trânsito aparecem em terceiro lugar

Depois das quedas e queimaduras, os acidentes de trânsito foram a terceira causa mais frequente, com cerca de 12,6 mil internações, equivalentes a 9,9% dos casos analisados.

Metade dessas ocorrências, 50,4%, envolveu crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos. Outros 32,3% atingiram a faixa dos 5 aos 9 anos.

As intoxicações provocaram aproximadamente 4,2 mil hospitalizações. Nesse grupo, crianças pequenas aparecem com maior frequência: 37,7% dos casos ocorreram entre 1 e 4 anos.

Também foram identificadas 644 internações por sufocação e 261 por afogamento. Em ambos os casos, crianças entre 1 e 4 anos concentraram a maior parcela das ocorrências.

Acidentes com armas de fogo provocaram 70 internações.

SP tem maior número, mas Pará lidera proporcionalmente

Em números absolutos, São Paulo concentrou a maior quantidade de hospitalizações analisadas, com 19.837 casos, equivalente a 15,4% do total.

Minas Gerais aparece em seguida, com 12.183 internações, e o Paraná, com 10.708.

Quando os números são relacionados ao tamanho da população, porém, o cenário muda.

O Pará apresentou a maior taxa, com 120 hospitalizações por 100 mil habitantes. Tocantins registrou 113 e Maranhão, 102 por 100 mil.

Na outra ponta aparecem Rio de Janeiro, com 43 hospitalizações por 100 mil habitantes; Rio Grande do Norte, com 39; e Sergipe, com 13.

Mais de 90% dos acidentes podem ser evitados

O relatório chama atenção para a prevenção e estima que mais de 90% dos acidentes envolvendo crianças e adolescentes sejam evitáveis.

Entre as medidas apontadas estão a criação de ambientes mais seguros, campanhas educativas, maior supervisão dos pequenos e fortalecimento de políticas públicas de prevenção.

A desatenção dos responsáveis aparece como um dos fatores relacionados aos acidentes, e o uso de celulares pelos cuidadores também é citado como um ponto de atenção.

“Investir em ambientes seguros, educação preventiva e fortalecimento de políticas públicas significa reduzir hospitalizações, sequelas permanentes e óbitos evitáveis”, destaca o relatório.

Com informações da agência Brasil

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