A República Democrática do Congo registrou um novo avanço no atual surto de ebola. Dados divulgados nesta sexta-feira (5) mostram que mais 71 infecções foram confirmadas em apenas 24 horas, elevando para 452 o número total de casos identificados desde o início da emergência sanitária. O total de mortes relacionadas à doença chegou a 82.
O aumento acelerado dos registros reforça a preocupação das autoridades de saúde internacionais com a disseminação da doença, especialmente nas províncias do leste do país, onde o acesso aos serviços de saúde é dificultado por conflitos armados e limitações estruturais. Segundo informações divulgadas pelo governo congolês, a maioria dos novos diagnósticos foi registrada na província de Ituri, considerada o principal foco da epidemia.
O atual surto é provocado pela cepa Bundibugyo do vírus Ebola, uma variante rara para a qual ainda não existem vacinas ou tratamentos específicos aprovados. A circulação dessa cepa levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a classificar a situação como uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional, o mais alto nível de alerta sanitário da entidade.
Diante do crescimento dos casos, a OMS e o Centro de Controle e Prevenção de Doenças da África (CDC África) anunciaram um plano conjunto para ampliar as ações de contenção da doença. A estratégia prevê investimentos de US$ 518 milhões entre junho e novembro de 2026, com foco no fortalecimento da vigilância epidemiológica, controle de fronteiras, diagnóstico precoce e preparação de países vizinhos para responder rapidamente a possíveis casos importados.
Além da República Democrática do Congo, Uganda também registra infecções relacionadas ao surto. As autoridades sanitárias acompanham ainda o risco de propagação para outras nações da região, entre elas Sudão do Sul, Ruanda, Quênia, Tanzânia, Burundi, Angola e República Centro-Africana.
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Especialistas alertam que a velocidade de transmissão observada nas últimas semanas demonstra a necessidade de uma resposta coordenada entre governos e organismos internacionais. O Congo já enfrentou diversos surtos de ebola nas últimas décadas, mas o atual é considerado um dos mais graves desde a descoberta da doença e figura entre os maiores já registrados no país.
*Com informação da Agência Brasíl

