Núcleo da SSP-SP atuou em parceria com ONG internacional; quem divulgou material, mesmo com intenção de ajudar, cometeu crime
O Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad), da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), removeu mais de 90 perfis de redes sociais que compartilharam vídeos do estupro coletivo de dois meninos, de 7 e 10 anos, ocorrido no final de abril na capital paulista. A operação foi realizada em conjunto com a organização não governamental The National Center for Missing & Exploited Children (NCMEC), entidade internacional que recebe denúncias de exploração infantil e aciona plataformas digitais para remoção de conteúdo.
A secretaria alerta que mesmo usuários que divulgaram o material com a intenção de auxiliar na identificação dos criminosos cometeram crime, conforme previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A prática de divulgação de vídeos e imagens com conteúdo obsceno envolvendo crianças e adolescentes é punida com reclusão de 1 a 4 anos, além de multa.
Investigação identifica perfis falsos criados para disseminar o conteúdo
De acordo com a delegada chefe do Noad, Lisandrea Salvariego Colabuono, é possível distinguir a intenção por trás de muitas das publicações. “A primeira evidência para isso é a criação de perfis falsos com a única intenção desse compartilhamento”, explica.
As buscas por perfis que compartilharam o vídeo ou parte dele continuam, e as investigações foram incorporadas ao mesmo inquérito do estupro coletivo, conduzido pelo 63º Distrito Policial.
- Brasil registra queda em internações após avanço da vacina contra VSR em grávidas
- Operação da PCDF investiga movimentação irregular de R$ 15 milhões envolvendo funcionários do BRB
- Vigilância Sanitária interdita locais e descarta alimentos impróprios às vésperas do Dia das Mães
- Museu Vivo da Memória Candanga celebra 36 anos com programação cultural gratuita
- Regiões do DF recebem consultórios odontológicos móveis para ampliar atendimentos
“Estamos investigando quem conhecia os envolvidos e divulgou o material bruto. Essas pessoas podem responder por divulgação de pedofilia, crime previsto no ECA”, afirmou o delegado titular, Júlio Geraldo.
O caso
No dia 21 de abril, dois meninos foram aliciados por cinco homens para um imóvel no bairro Vila Jacuí, na Zona Leste de São Paulo. Os criminosos — um maior de idade e quatro adolescentes — convidaram as crianças para empinar pipa, mas, no local, cometeram o estupro coletivo. O crime foi gravado e o vídeo circulou nas redes sociais.
Três dias depois, a irmã de uma das vítimas reconheceu o menino nas imagens e registrou a denúncia.
Todos os cinco envolvidos foram presos ou apreendidos e indiciados pela Polícia Civil. Alessandro Martins dos Santos, de 21 anos, único maior de idade, foi capturado na terça-feira (5) em Brejões, na Bahia. Em depoimento, confessou o crime sem demonstrar arrependimento, manifestando apenas preocupação com as consequências legais. Os quatro adolescentes, com idades entre 14 e 16 anos, também confessaram e foram encaminhados à Fundação Casa.
Estupro de vulnerável: SP registra aumento de casos em 2026
Dados da Secretaria Estadual de Segurança Pública indicam que São Paulo registrou 2.942 casos de estupro de vulnerávelde janeiro a março de 2026 — dez a mais do que no mesmo período do ano passado.
Os números também mostram crescimento mensal: foram 892 casos em janeiro, 915 em fevereiro e 1.135 em março.
Reportagem com informações da Agência Brasil

