As altas temperaturas registradas durante a Copa do Mundo de 2026 voltaram a acender o debate sobre os impactos do calor extremo na saúde de atletas, árbitros e torcedores. O tema ganhou destaque após a partida entre Brasil e Escócia, disputada nesta quarta-feira (24), em Miami, quando os termômetros marcavam 30°C no início do confronto, mesmo no fim da tarde.
O cenário já havia sido apontado por estudos científicos antes do início do torneio. Pesquisa da Queen’s University Belfast, da Irlanda do Norte, indicou que 14 das 16 cidades-sede da Copa — realizada nos Estados Unidos, México e Canadá — podem registrar níveis considerados potencialmente perigosos de calor durante a competição. O levantamento utilizou dados meteorológicos dos últimos 20 anos e foi publicado no International Journal of Biometeorology.
Outra análise, divulgada pela organização internacional World Weather Attribution Initiative (WWA), alertou especialmente para partidas realizadas no México e nas regiões sul e central dos Estados Unidos, onde a combinação de altas temperaturas e elevada umidade aumenta significativamente os riscos para quem pratica atividades físicas.
Pausas para hidratação
Diante desse cenário, a Federação Internacional de Associações de Futebolistas Profissionais (FIFPro) recomenda pausas obrigatórias para hidratação sempre que a temperatura atingir 30°C. Caso os termômetros cheguem a 36°C, a entidade orienta que as partidas possam ser interrompidas ou até adiadas, caso as condições representem risco à segurança de jogadores, comissões técnicas, arbitragem e torcedores.
Segundo a WWA, a edição de 2026 poderá registrar 26 partidas disputadas com temperaturas iguais ou superiores a 30°C. Na Copa de 1994, também realizada nos Estados Unidos, foram 21 confrontos nessas condições. A expectativa é ainda de cinco jogos com temperaturas acima de 36°C, dois a mais do que há 32 anos.
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Brasil pode enfrentar novo desafio climático
Classificado para os 16 avos de final, o Brasil enfrentará o segundo colocado do Grupo F, que pode ser Holanda, Japão ou Suécia. O confronto será disputado em Houston, com início previsto para as 12h no horário local (14h de Brasília).
A previsão é de temperatura em torno de 33°C durante a partida. Apesar do calor, o estádio da equipe Houston Texans, da NFL, conta com teto retrátil e sistema de ar-condicionado, o que ajuda a reduzir os impactos das condições climáticas.
Medidas adotadas pela Fifa
Em nota enviada à Agência Brasil, a Federação Internacional de Futebol (Fifa) informou que adotou medidas para preservar a saúde dos envolvidos na competição.
Segundo a entidade, o calendário buscou equilibrar aspectos esportivos, operacionais e de transmissão, limitando, sempre que possível, partidas ao ar livre nos horários de maior calor e priorizando estádios cobertos.
Além disso, todas as 104 partidas do Mundial contam com pausas obrigatórias de três minutos para hidratação em cada tempo, independentemente das condições climáticas.
A medida, no entanto, divide opiniões. Enquanto parte dos jogadores considera a pausa suficiente, pesquisadores defendem intervalos mais longos. Em carta aberta divulgada neste ano, 20 cientistas de diversos países afirmaram que três minutos são insuficientes para promover reidratação e resfriamento corporal adequados, propondo interrupções de pelo menos seis minutos.
Os especialistas também destacaram que o enfrentamento dos efeitos do calor extremo depende de ações mais amplas relacionadas às mudanças climáticas, ressaltando que os riscos não se limitam aos atletas, mas também atingem torcedores reunidos em áreas abertas, celebrações e demais atividades ligadas ao evento.
Com informações da Agência Brasil.

