Estudo de estudantes de medicina analisou 654 exames de tuberculose em Ceilândia e identificou ausência de registros de tratamento preventivo.
Uma pesquisa realizada por estudantes de medicina da Escola Superior de Ciências da Saúde (Escs) identificou dificuldades no acompanhamento de pessoas que vivem com HIV e precisam de tratamento preventivo contra a tuberculose no Distrito Federal.
O estudo foi premiado nesta quinta-feira (29/10), durante a cerimônia do 32º Congresso de Iniciação Científica da Universidade de Brasília (UnB) e do 23º Congresso de Iniciação Científica do DF.
Desenvolvido pelos estudantes Maria Cecília Caixeta Magalhães e André Rodrigues Diógenes Macedo, ambos da 5ª série de medicina, o trabalho analisou 654 exames realizados na Policlínica II de Ceilândia, entre 2023 e 2025.
Os resultados mostraram que aproximadamente 9% dos exames foram positivos para infecção latente por tuberculose. Além disso, quase 30% dos pacientes com indicação de tratamento preventivo não tinham registro de início da medicação.
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A ausência de registro não significa necessariamente que os pacientes ficaram sem tratamento, mas aponta dificuldades no acompanhamento e na documentação das condutas médicas.
Falta de integração entre sistemas dificulta acompanhamento
A pesquisa também identificou problemas na comunicação entre os sistemas laboratoriais e os prontuários eletrônicos, o que pode dificultar o acesso dos profissionais às informações necessárias para o atendimento.
O estudo utilizou resultados do exame IGRA, um teste de sangue capaz de identificar a infecção latente por tuberculose, situação em que a pessoa está infectada pela bactéria, mas não apresenta a doença ativa.
O rastreamento é especialmente importante para pessoas que vivem com HIV, pois elas apresentam maior risco de desenvolver tuberculose ativa.
Segundo os dados apresentados na pesquisa, a proporção de coinfecção por tuberculose e HIV no Distrito Federal supera 11%, enquanto a média nacional está próxima de 9%.
Pesquisa pode contribuir para melhorias no SUS
Orientado pelo médico infectologista e professor Lino Neves da Silveira, o trabalho destaca a necessidade de aprimorar os registros e garantir que os resultados dos exames sejam utilizados no acompanhamento dos pacientes.
Uma das vantagens do IGRA é a realização por meio de uma única coleta de sangue. O método anterior, conhecido como PPD, exige que o paciente retorne à unidade de saúde entre 48 e 72 horas depois para a leitura do resultado.
Para Maria Cecília, a premiação mostra como a pesquisa acadêmica pode contribuir para identificar problemas e melhorar os serviços públicos de saúde.
Os pesquisadores ressaltam que os resultados representam a realidade de uma unidade de saúde da região oeste do DF e não devem ser generalizados para toda a rede.
Com informações Agência Brasília

