Muito além de uma forma de entretenimento, o brincar tem papel fundamental no desenvolvimento físico, emocional, social e cognitivo das crianças. Com o objetivo de ampliar essa discussão, o Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB) reuniu profissionais da saúde, educação, brinquedistas e estudantes na terceira edição do Encontro do Brincar, realizado em celebração ao Dia Internacional do Brincar, comemorado em 28 de maio.
O evento teve como foco a brincadeira livre como um direito da infância e uma importante ferramenta para a promoção da saúde e do desenvolvimento humano. A iniciativa também abordou os reflexos que as experiências lúdicas vividas nos primeiros anos de vida podem ter na construção das relações sociais, da criatividade, da autonomia e do bem-estar na fase adulta.
Durante a abertura, a diretora executiva do HCB, Valdenize Tiziani, destacou a transformação da forma como a infância passou a ser compreendida dentro dos serviços de saúde. Segundo ela, a criança deixou de ser vista apenas pela doença ou pelo tratamento e passou a ser reconhecida como sujeito de direitos, com identidade, desejos e necessidades próprias. O hospital fundamenta sua atuação em marcos legais como a Constituição Federal, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e a Convenção sobre os Direitos da Criança da Organização das Nações Unidas (ONU).
A discussão também trouxe evidências científicas sobre a relevância das brincadeiras para o desenvolvimento infantil. Estudos e especialistas apontam que brincar contribui para o fortalecimento de habilidades cognitivas, emocionais e sociais, além de estimular a imaginação, a resolução de problemas, a construção de vínculos e a aprendizagem.
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No HCB, essa compreensão faz parte da rotina assistencial. A instituição mantém oito brinquedotecas distribuídas entre alas de internação e ambulatórios, permitindo que pacientes e familiares tenham acesso a espaços planejados para integrar o brincar ao processo de cuidado. Segundo a gerente de Pesquisa do hospital, Cristiane Salviano, a ciência do brincar é tratada com rigor técnico e incorporada à jornada dos pacientes como estratégia de humanização e promoção do desenvolvimento infantil.
A programação incluiu ainda palestras e uma mesa-redonda com especialistas de diferentes áreas para discutir a integração entre saúde, educação, cultura e lazer na construção de uma infância mais saudável. Entre os temas debatidos esteve a necessidade de ampliar o acesso ao brincar livre em diferentes ambientes, inclusive no contexto hospitalar.
Para os participantes, valorizar o ato de brincar significa investir não apenas no presente das crianças, mas também em adultos mais criativos, resilientes e preparados para lidar com os desafios da vida. Afinal, as experiências construídas na infância ajudam a moldar competências e habilidades que acompanham o indivíduo por toda a vida.
*Com informações da Agência Brasília

