A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) desenvolveu uma nova tecnologia capaz de tornar o uso do calcário agrícola mais eficiente e econômico para os produtores rurais. O produto, criado por pesquisadores do Laboratório de Nanobiotecnologia (LNANO) da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília, apresenta uma formulação nanoestruturada que reduz perdas durante o armazenamento, transporte e aplicação no campo, além de contribuir para o aumento da produtividade das lavouras.
Tradicionalmente utilizado para corrigir a acidez do solo, o calcário convencional é comercializado em forma de pó, o que favorece sua dispersão pelo vento durante a aplicação. A nova tecnologia modifica essa característica ao transformar o insumo em grânulos mais resistentes e uniformes, produzidos por meio de processos de moagem de alta energia e aglutinação de partículas em escala nanométrica.
Com a mudança de formato, o produto passa a apresentar maior estabilidade e facilidade de manuseio. Outro benefício é a menor sensibilidade à umidade, fator que frequentemente compromete a qualidade do calcário tradicional. Quando armazenado em condições inadequadas, o produto convencional pode endurecer e formar blocos, dificultando ou até mesmo impedindo sua utilização nos equipamentos agrícolas.
Além da função corretiva, o novo calcário também passou a atuar como fonte de nutrientes para as plantas. A tecnologia permite incorporar elementos essenciais ao desenvolvimento das culturas, transformando o insumo em um fertilizante misto capaz de atender diferentes necessidades nutricionais.
Segundo o pesquisador da Embrapa Luciano Paulino da Silva, foram desenvolvidas diversas formulações para adequar o produto às exigências de diferentes culturas agrícolas. Dependendo da composição, o calcário pode fornecer nutrientes como nitrogênio, fósforo, potássio, boro, cobre e zinco, além do cálcio e magnésio já presentes naturalmente no material.
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“Cada cultura possui demandas nutricionais específicas. Por isso, trabalhamos com diferentes combinações para atender de forma mais eficiente as necessidades de cada lavoura”, explica o pesquisador.
A expectativa dos cientistas é que a tecnologia contribua para o fortalecimento das plantas, promovendo maior produtividade e melhor aproveitamento dos nutrientes aplicados. Com uma nutrição mais equilibrada, as culturas tendem a apresentar melhor desenvolvimento e maior resistência aos fatores que comprometem seu crescimento.
De acordo com o pesquisador do LNANO André Felipe Câmara Amaral, o fortalecimento das plantas pode até mesmo contribuir para a redução da necessidade de defensivos agrícolas em determinadas situações, embora novos estudos ainda sejam necessários para comprovar esse efeito em diferentes cenários.
“Quando a planta recebe os nutrientes adequados, ela fica mais saudável e preparada para enfrentar adversidades. É um princípio semelhante ao que ocorre com os seres humanos quando mantêm uma alimentação equilibrada”, compara.
A tecnologia já avançou para diferentes escalas de produção, passando dos testes laboratoriais, realizados inicialmente com pequenas quantidades, para processos industriais capazes de produzir toneladas do insumo. A eficiência agronômica do produto também foi avaliada em culturas como soja e trigo.
Resultados preliminares apontam que os protótipos mantêm capacidade adequada de neutralização da acidez do solo e apresentam potencial para aumentar a produtividade, além de reduzir operações agrícolas relacionadas à aplicação de corretivos e fertilizantes.
Os testes em condições reais de cultivo estão sendo realizados em parceria com a Perical, empresa brasileira especializada em mineração de calcário agrícola e com atuação nos estados de Goiás e Tocantins. A cooperação entre a empresa e a Embrapa foi estabelecida há mais de três anos e possibilitou investimentos em equipamentos, bolsas de pesquisa e materiais necessários para o desenvolvimento da tecnologia.
Vinculada ao Ministério da Agricultura e Pecuária, a Embrapa é responsável por pesquisas e inovações voltadas ao fortalecimento da agropecuária brasileira desde 1973. O desenvolvimento do calcário nanoestruturado representa mais um avanço tecnológico voltado à modernização do setor e à busca por soluções que aumentem a eficiência e a sustentabilidade da produção agrícola nacional.
*Com informações da Agência Brasil

