Às vésperas de completar um ano sob gestão da Concessionária Catedral, a Rodoviária do Plano Piloto apresenta mudanças que já são percebidas por quem utiliza diariamente o maior terminal de integração do Distrito Federal. De acordo com levantamento realizado pelo Instituto Opinião, a aprovação dos usuários saltou de 45,61% para 86,13% desde o início da concessão, refletindo melhorias em áreas consideradas históricas demandas da população.
Com circulação diária estimada em cerca de 700 mil pessoas, entre passageiros, comerciantes e trabalhadores, o terminal passou por uma série de intervenções voltadas à segurança, acessibilidade, organização dos espaços e qualificação dos serviços oferecidos.
Embora a infraestrutura esteja sob responsabilidade da concessionária, a gestão do sistema de transporte coletivo permanece sob controle da Secretaria de Transporte e Mobilidade do Distrito Federal (Semob-DF), responsável pela fiscalização dos serviços e pelo acompanhamento do cumprimento das metas previstas em contrato.
O modelo adotado pelo Governo do Distrito Federal estabelece que a remuneração da empresa concessionária está vinculada ao desempenho e à qualidade dos serviços prestados. Para isso, a Semob realiza monitoramento constante dos indicadores operacionais e da satisfação dos usuários, utilizando ferramentas digitais integradas ao Centro de Controle Operacional (CCO) instalado na rodoviária.
Entre as melhorias mais visíveis para a população está a recuperação completa das escadas rolantes e elevadores, considerados durante anos um dos principais problemas do terminal. Atualmente, os equipamentos funcionam sob regime permanente de manutenção preventiva e corretiva, garantindo maior confiabilidade aos usuários.
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Segundo a administração da rodoviária, as 12 escadas rolantes foram modernizadas e os elevadores passaram a operar regularmente, reduzindo transtornos para pessoas com deficiência, idosos, gestantes e passageiros com mobilidade reduzida.
Além das melhorias estruturais, a sensação de segurança também apresentou avanço significativo. A implantação do novo Centro de Controle Operacional, equipado com sistema de videomonitoramento e reconhecimento facial, contribuiu para elevar a avaliação positiva dos usuários em relação à segurança do espaço.
A moradora do Itapoã Manoela Suzart, que utiliza frequentemente o terminal acompanhada da filha cadeirante, destaca que a experiência de circulação mudou completamente. Segundo ela, a retirada de obstáculos dos corredores e a regularização dos espaços facilitaram o deslocamento e aumentaram a sensação de tranquilidade dentro da rodoviária.
As mudanças também beneficiaram pessoas com deficiência visual. Para a professora Karina Gonçalves, do Centro de Ensino Especial de Deficientes Visuais (CEEDV), a reorganização dos espaços tornou o terminal mais acessível e adequado para atividades de orientação e mobilidade desenvolvidas com os estudantes.
Outro destaque do primeiro ano da concessão foi a reorganização das atividades comerciais. Por meio de parcerias entre a concessionária, órgãos do GDF e o Sebrae, ambulantes que atuavam informalmente passaram a ter a oportunidade de regularizar seus negócios.
Hoje, a rodoviária reúne cerca de 150 estabelecimentos comerciais que empregam aproximadamente 450 trabalhadores. Muitos comerciantes relatam que a formalização trouxe mais estabilidade, melhores condições de trabalho e aumento nas vendas.
O vendedor de açaí Alex Alves, que atuou durante anos como ambulante, afirma que a regularização transformou sua realidade profissional. Com um ponto padronizado e autorizado, ele conseguiu ampliar o negócio e trabalhar com mais segurança.
Experiência semelhante foi vivida por Aduir da Silva, comerciante há quase duas décadas no terminal. Segundo ele, a formalização permitiu investir no próprio estabelecimento, melhorar a estrutura de atendimento e gerar novos empregos.
Além das obras e da reorganização comercial, a rodoviária passou a oferecer novos serviços voltados ao acolhimento da população. Entre eles estão uma sala multissensorial destinada a pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), um fraldário, uma sala de amamentação e o Cantinho do Desabafo, espaço voltado ao suporte emocional gratuito.
As intervenções continuam ao longo de 2026. A concessionária iniciou a reforma dos banheiros, trabalha na recuperação estrutural de vigas e lajes e prepara futuras obras ligadas à ampliação da integração do transporte público, incluindo o novo terminal do BRT.
Para a administração do terminal, a principal evidência da transformação está no comportamento dos próprios usuários. A permanência das pessoas nos espaços, o uso mais tranquilo das áreas de convivência e a maior circulação dentro da rodoviária são apontados como reflexos das melhorias implementadas ao longo deste primeiro ano de concessão.
*Com informações da Agência Brasília

