Apesar de serem maioria entre os profissionais formados em cursos de audiovisual, as mulheres seguem com baixa participação nos cargos de liderança da indústria cinematográfica brasileira. Para a produtora e diretora da Associação Paulista de Cineastas (Apaci), Minom Pinho, ampliar essa presença depende da adoção de políticas públicas com metas específicas para o setor.
Durante o Festival de Cinema Sul-Americano de Bonito (Bonito CineSur), Minom defendeu a criação de indicadores e objetivos para aumentar a participação feminina em funções como direção e roteiro.
“As grandes mudanças se fazem com política pública. É preciso estabelecer metas claras para ampliar a presença das mulheres nos cargos de liderança do cinema”, afirmou.
Mulheres seguem sub-representadas
Segundo a produtora, a participação feminina em funções de comando nas produções audiovisuais brasileiras permanece abaixo de 20% há anos, apesar de as mulheres representarem a maioria dos formandos na área e conquistarem bons resultados de público.
Ela argumenta que não há justificativa para a baixa presença feminina nesses espaços e defende que o setor avance rumo à igualdade de oportunidades.
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Dados mostram desigualdade
Levantamento do Anuário Estatístico do Audiovisual Brasileiro 2024, elaborado pelo Observatório Brasileiro do Cinema e do Audiovisual (OCA) e publicado pela Ancine, evidencia o desequilíbrio na ocupação dos cargos de liderança.
Entre os dados apresentados:
- apenas 17% das direções de filmes e séries brasileiros são ocupadas por mulheres;
- em 2023, 231 longas-metragens foram dirigidos exclusivamente por homens, contra 52 dirigidos por mulheres;
- nos roteiros, foram 165 produções assinadas por homens, enquanto 41 tiveram autoria feminina.
Por outro lado, a participação das mulheres é predominante em áreas tradicionalmente associadas ao universo feminino, como direção de arte e produção executiva.
Para Minom, esse cenário reflete estereótipos históricos sobre os papéis ocupados pelas mulheres na indústria audiovisual.
Mais diversidade nas narrativas
A produtora destacou que ampliar a presença feminina na direção e no roteiro também influencia as histórias contadas nas telas.
Segundo ela, quando mulheres escrevem, dirigem e definem a linguagem visual das produções, novas perspectivas passam a integrar o cinema nacional.
Debate reuniu representantes da América do Sul
O protagonismo feminino foi tema de um dos debates promovidos durante o Bonito CineSur.
A atriz chilena Paulina Garcia defendeu a ampliação de personagens femininas mais complexas e afastadas de estereótipos.
“Precisamos contar histórias mais complexas sobre quem somos e sobre o que queremos fazer”, afirmou.
Já Gabriela Sandoval, diretora e produtora de indústria do Festival Internacional de Cinema de Santiago (Sanfic), ressaltou a importância da cooperação entre mulheres do continente para fortalecer sua presença na produção cinematográfica sul-americana.
Segundo ela, ampliar a participação feminina nos espaços de decisão permite diversificar as narrativas e abrir oportunidades para novas histórias.

