BrasilMulheres ainda ocupam apenas 17% da direção de filmes brasileiros, aponta estudo

Mulheres ainda ocupam apenas 17% da direção de filmes brasileiros, aponta estudo

Apesar de serem maioria entre os profissionais formados em cursos de audiovisual, as mulheres seguem com baixa participação nos cargos de liderança da indústria cinematográfica brasileira. Para a produtora e diretora da Associação Paulista de Cineastas (Apaci), Minom Pinho, ampliar essa presença depende da adoção de políticas públicas com metas específicas para o setor.

Durante o Festival de Cinema Sul-Americano de Bonito (Bonito CineSur), Minom defendeu a criação de indicadores e objetivos para aumentar a participação feminina em funções como direção e roteiro.

“As grandes mudanças se fazem com política pública. É preciso estabelecer metas claras para ampliar a presença das mulheres nos cargos de liderança do cinema”, afirmou.

Mulheres seguem sub-representadas

Segundo a produtora, a participação feminina em funções de comando nas produções audiovisuais brasileiras permanece abaixo de 20% há anos, apesar de as mulheres representarem a maioria dos formandos na área e conquistarem bons resultados de público.

Ela argumenta que não há justificativa para a baixa presença feminina nesses espaços e defende que o setor avance rumo à igualdade de oportunidades.

Dados mostram desigualdade

Levantamento do Anuário Estatístico do Audiovisual Brasileiro 2024, elaborado pelo Observatório Brasileiro do Cinema e do Audiovisual (OCA) e publicado pela Ancine, evidencia o desequilíbrio na ocupação dos cargos de liderança.

Entre os dados apresentados:

  • apenas 17% das direções de filmes e séries brasileiros são ocupadas por mulheres;
  • em 2023, 231 longas-metragens foram dirigidos exclusivamente por homens, contra 52 dirigidos por mulheres;
  • nos roteiros, foram 165 produções assinadas por homens, enquanto 41 tiveram autoria feminina.

Por outro lado, a participação das mulheres é predominante em áreas tradicionalmente associadas ao universo feminino, como direção de arte e produção executiva.

Para Minom, esse cenário reflete estereótipos históricos sobre os papéis ocupados pelas mulheres na indústria audiovisual.

Mais diversidade nas narrativas

A produtora destacou que ampliar a presença feminina na direção e no roteiro também influencia as histórias contadas nas telas.

Segundo ela, quando mulheres escrevem, dirigem e definem a linguagem visual das produções, novas perspectivas passam a integrar o cinema nacional.

Debate reuniu representantes da América do Sul

O protagonismo feminino foi tema de um dos debates promovidos durante o Bonito CineSur.

A atriz chilena Paulina Garcia defendeu a ampliação de personagens femininas mais complexas e afastadas de estereótipos.

“Precisamos contar histórias mais complexas sobre quem somos e sobre o que queremos fazer”, afirmou.

Gabriela Sandoval, diretora e produtora de indústria do Festival Internacional de Cinema de Santiago (Sanfic), ressaltou a importância da cooperação entre mulheres do continente para fortalecer sua presença na produção cinematográfica sul-americana.

Segundo ela, ampliar a participação feminina nos espaços de decisão permite diversificar as narrativas e abrir oportunidades para novas histórias.

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