Mais de nove décadas após a conquista do voto feminino no Brasil, declarações que questionam a participação política das mulheres voltaram a ganhar repercussão e reacenderam um debate que parecia superado. Especialistas avaliam que esses discursos refletem a permanência de estruturas históricas de desigualdade e reforçam a importância de preservar direitos conquistados ao longo de décadas de mobilização.
A resistência à participação feminina na política acompanha a história do país desde o período republicano. Durante a Assembleia Constituinte de 1891, parlamentares defenderam que as mulheres não deveriam participar das eleições, sob argumentos que as restringiam ao ambiente doméstico e negavam sua capacidade para exercer direitos políticos.
Mais de um século depois, manifestações semelhantes voltaram ao debate público, levando pesquisadoras a alertarem para a necessidade de fortalecer a participação feminina e combater discursos discriminatórios.
Direito conquistado após décadas de mobilização
Pesquisadoras lembram que o voto feminino não foi uma concessão espontânea do Estado, mas resultado de uma intensa mobilização liderada por mulheres que enfrentaram resistência política, jurídica e social.
Ao longo das primeiras décadas do século XX, organizações como o Partido Republicano Feminino e a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino promoveram campanhas, manifestações e articulações políticas em defesa da igualdade de direitos.
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O reconhecimento veio apenas em 1932, com o Código Eleitoral, que garantiu às mulheres o direito de votar. A conquista foi incorporada à Constituição de 1934 e ampliada nas legislações posteriores.
Mulheres são maioria entre os eleitores
Hoje, o cenário é bastante diferente daquele enfrentado pelas pioneiras do movimento sufragista.
Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as mulheres representam a maioria do eleitorado brasileiro. Nas eleições de 2026, mais de 83,8 milhões de eleitoras estão aptas a votar, correspondendo a cerca de 53% do total de votantes.
Apesar dessa representatividade, especialistas afirmam que a presença feminina ainda enfrenta obstáculos, principalmente nos espaços de poder e representação política.
Especialistas alertam para riscos
Pesquisadoras destacam que declarações que colocam em dúvida a capacidade política das mulheres podem contribuir para desestimular sua participação na vida pública.
Segundo elas, embora os direitos políticos estejam assegurados pela Constituição Federal, discursos dessa natureza reforçam estereótipos históricos e evidenciam que a igualdade formal ainda convive com desafios culturais e sociais.
Além da participação nas urnas, especialistas defendem políticas públicas voltadas ao incentivo da presença feminina em cargos eletivos, na administração pública e em espaços de decisão.
Legado das sufragistas
Nomes como Bertha Lutz, Leolinda Daltro e Almerinda Gama são lembrados como protagonistas da luta pelo sufrágio feminino no Brasil.
As pesquisadoras afirmam que preservar a memória dessas lideranças ajuda a compreender que direitos democráticos são fruto de mobilização constante e exigem vigilância permanente para serem preservados.
Com informações da agência Brasil

