Milhares de brasileiros convivem com hepatites virais sem saber. Como a doença costuma evoluir de forma silenciosa, muitas pessoas só descobrem a infecção quando o fígado já apresenta danos importantes. Nesta terça-feira (28), Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais, especialistas reforçam a importância do diagnóstico precoce para evitar complicações graves.
As hepatites virais são infecções que atingem o fígado e podem ser provocadas pelos vírus A, B, C, D e E. No Brasil, os tipos A, B e C são os mais comuns. Em boa parte dos casos, a doença não causa sintomas por muitos anos. Quando aparecem, os sinais podem incluir cansaço, febre, mal-estar, tontura e pele ou olhos amarelados.
A hepatologista Liliana Mendes alerta que identificar a doença logo no início faz toda a diferença no tratamento.
“Quanto mais cedo a doença for identificada, mais cedo podemos iniciar o tratamento e evitar complicações. A principal forma de prevenção da hepatite B é a vacinação. Além disso, a recomendação é que todos os adultos realizem pelo menos uma vez na vida o exame de sorologia para rastreamento da doença”, explica.
Foi justamente um exame de rotina que mudou a vida de Adalto Pinheiro, de 63 anos. Sem qualquer sintoma, ele descobriu há quase duas décadas que era portador de hepatite B. Desde então, faz acompanhamento regular no Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), utiliza a medicação indicada e monitora a evolução da doença.
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“Eu descobri totalmente por acaso, não sentia sintoma nenhum. Agora tomo os remédios e faço exames para garantir que não piore”, relata.
Entenda como ocorre a transmissão
Cada tipo de hepatite possui formas específicas de transmissão.
A hepatite A está relacionada, principalmente, ao consumo de água e alimentos contaminados e à falta de saneamento básico e higiene.
Já as hepatites B e C podem ser transmitidas por relações sexuais sem preservativo, compartilhamento de seringas, agulhas e objetos perfurocortantes, como lâminas de barbear, escovas de dente e alicates de unha. Também existe o risco de transmissão da mãe para o bebê durante a gestação ou o parto.
Pessoas com maior risco de exposição, como usuários de drogas e profissionais do sexo, devem realizar exames de rastreamento todos os anos.
Diagnóstico e tratamento são oferecidos pelo SUS
O tratamento depende do tipo de vírus e da fase da infecção, que pode ser aguda ou crônica. Em todos os casos, a assistência médica e os medicamentos são disponibilizados gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Quem deseja fazer o exame de rastreamento pode procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS). Em situações de sintomas agudos, a orientação é buscar atendimento em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Quando necessário, o paciente é encaminhado para acompanhamento especializado.
Cinco tipos de hepatites
As hepatites virais são classificadas em cinco tipos:
- Hepatite A: transmitida principalmente por água e alimentos contaminados.
- Hepatite B: transmissão por sangue, relações sexuais e de mãe para filho.
- Hepatite C: disseminada principalmente pelo contato com sangue contaminado.
- Hepatite D: ocorre quase exclusivamente em pessoas infectadas pelo vírus da hepatite B e concentra-se na Região Norte do Brasil.
- Hepatite E: rara no país e mais frequente em regiões da África e da Ásia.
Segundo o Ministério da Saúde, as hepatites virais causam cerca de 1,3 milhão de mortes por ano em todo o mundo, em decorrência de infecções agudas, cirrose e câncer de fígado. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que as hepatites B e C, juntas, provocam mais mortes anuais do que o HIV e um número semelhante ao da tuberculose.
Como reduzir o risco da doença
A prevenção inclui medidas simples, mas eficazes:
- Manter a vacinação em dia contra as hepatites A e B, conforme indicação do SUS.
- Consumir água tratada e alimentos bem higienizados.
- Lavar as mãos com frequência.
- Evitar contato com esgoto.
- Usar preservativo em todas as relações sexuais.
- Não compartilhar lâminas de barbear, escovas de dente, alicates de unha, agulhas, seringas ou outros materiais perfurocortantes.
- Realizar tatuagens, piercings e procedimentos estéticos apenas em locais que utilizem materiais esterilizados ou descartáveis.
Com informações da agência Brasília

