O Distrito Federal completa 54 dias consecutivos sem chuva, em meio a um cenário de baixa umidade, tardes quentes e vegetação cada vez mais seca. A última precipitação registrada na capital ocorreu em 25 de junho, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
A longa sequência de dias secos é característica desta época do ano e está associada à atuação de uma massa de ar seco sobre o Centro-Oeste, que dificulta a formação de nuvens de chuva. O cenário, porém, aumenta a preocupação com a ocorrência e a propagação de incêndios florestais.
Com pouca água disponível no solo e na vegetação do Cerrado, uma pequena fonte de ignição pode fazer com que as chamas se espalhem rapidamente, principalmente nos períodos mais quentes do dia.
Manhãs amenas e tardes acima dos 30°C
A previsão indica que o tempo seco deve continuar nos próximos dias. A umidade relativa do ar pode atingir níveis críticos durante as tardes, situação que pode levar à emissão de novos alertas meteorológicos.
No Plano Piloto, as temperaturas mínimas devem ficar entre 14°C e 16°C, enquanto as máximas podem alcançar de 30°C a 31°C.
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Em outras regiões do DF, a variação pode ser ainda maior. No Paranoá, por exemplo, as mínimas tendem a ficar cerca de 1°C abaixo das registradas em Brasília. Já no Gama, as máximas podem superar em aproximadamente 1°C as previstas para a área central.
Os ventos devem permanecer entre fracos e moderados, mas não estão descartadas rajadas pontuais.
Mais de 3,7 mil ocorrências de incêndio
O avanço da estiagem também aparece nos números dos atendimentos. Até 16 de agosto, foram contabilizadas 3.738 ocorrências de incêndio em vegetação no Distrito Federal.
Desse total, 3.270 registros ocorreram durante a Operação Verde Vivo 2026. Julho concentrou 1.096 ocorrências, enquanto os primeiros 16 dias de agosto já somaram outras 1.012.
Apesar do volume expressivo, os registros estão abaixo dos observados no mesmo período de 2025. Até 16 de agosto do ano passado, haviam sido contabilizadas 4.346 ocorrências.
A Operação Verde Vivo segue até novembro e intensifica sua estrutura conforme o período de seca avança. Na etapa mais crítica, podem atuar diariamente até 169 combatentes e 35 viaturas, além do uso de drones, aeronaves, câmeras e imagens de satélite.
Em incêndios de grandes proporções, o planejamento permite mobilizar um reforço que pode chegar a mil profissionais.
Trabalho começa antes de o fogo aparecer
O combate às chamas é apenas uma parte da estratégia. Medidas preventivas também são adotadas para reduzir a quantidade de vegetação capaz de alimentar grandes incêndios.
Em 2026, aproximadamente 300 hectares passaram por queima prescrita, técnica realizada de forma planejada e controlada. Também foram implantados cerca de 50 quilômetros de aceiros, faixas destinadas a dificultar o avanço do fogo dentro das unidades de conservação.
O trabalho conta ainda com 150 brigadistas contratados por dois anos, permitindo que parte das ações preventivas seja mantida ao longo de todo o ano.
Áreas atingidas pelas chamas também são acompanhadas por sistemas de monitoramento. Entre os locais que apresentaram maior recorrência de queimadas entre 2020 e 2024 estão os parques distritais Boca da Mata e Recanto das Emas, o Parque Ecológico do Tororó e o Parque Ecológico Ezechias Heringer, além de áreas federais como o Parque Nacional de Brasília.
Queimada irregular pode gerar multa acima de R$ 50 mil
Além do risco para a vegetação e os animais, os incêndios podem provocar erosão, favorecer o assoreamento de cursos d’água e comprometer a qualidade do ar.
Quem utiliza fogo para fins agropastoris sem autorização também pode ser responsabilizado. A multa prevista pode chegar a R$ 1 mil por hectare ou fração.
Quando as chamas atingem áreas legalmente protegidas, como unidades de conservação e áreas de preservação permanente, as penalidades podem ultrapassar R$ 50 mil, além da possibilidade de embargo e obrigação de recuperação ambiental.
Cuidados durante a estiagem
Com a permanência do tempo seco, a orientação é evitar queimadas de lixo, folhas, restos de poda ou terrenos. Bitucas de cigarro também não devem ser descartadas próximas à vegetação, e fogueiras ou fogos de artifício exigem atenção especial perto de áreas verdes.
Para reduzir os efeitos da baixa umidade sobre a saúde, é importante aumentar a ingestão de água, umidificar os ambientes e evitar exposição prolongada ao sol entre 10h e 16h.
Ao perceber um foco de incêndio, a recomendação é não se aproximar das chamas e acionar imediatamente o Corpo de Bombeiros pelo 193.
Como informações da Agência Brasília

