O avanço do endividamento das famílias brasileiras tem sido impulsionado pela combinação entre a elevada taxa básica de juros do país, a Selic, e os altos custos cobrados pelos bancos em operações de crédito. A avaliação é de economistas que apontam dificuldades crescentes para consumidores manterem as contas em dia diante do encarecimento dos empréstimos.
Dados recentes mostram que o spread bancário — diferença entre os juros pagos pelos bancos para captar recursos e os cobrados dos clientes — alcançou 34,6 pontos percentuais em março, acima dos 29,7 pontos registrados no mesmo período do ano passado. O índice brasileiro está muito acima da média mundial, estimada em cerca de 6 pontos percentuais pelo Banco Mundial.
Especialistas explicam que o atual patamar da Selic influencia diretamente o valor dos financiamentos, empréstimos e do crédito utilizado pelas famílias. Mesmo após a redução de 0,25 ponto percentual promovida pelo Comitê de Política Monetária (Copom), a taxa básica permanece em 14,5%, uma das mais altas do planeta em termos reais, descontada a inflação.
Segundo economistas, o cenário impacta principalmente trabalhadores de renda mais baixa, que frequentemente recorrem ao crédito para complementar despesas essenciais do dia a dia, como alimentação, saúde e contas domésticas. O crescimento da informalidade e das formas mais precárias de trabalho também é apontado como um fator que contribui para a dificuldade financeira das famílias.
Levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) revela que 80% das famílias brasileiras estavam endividadas em abril, maior índice já registrado pela pesquisa. Entre os lares com renda de até três salários mínimos, o endividamento chegou a 83,6%, enquanto 38,2% enfrentavam contas em atraso.
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Além da Selic elevada, economistas destacam que o Brasil possui um dos maiores spreads bancários do mundo. Para especialistas, o alto custo do crédito cria um ciclo de inadimplência: quanto maiores os juros, maior a dificuldade de pagamento, levando consumidores a recorrerem a novas dívidas para quitar compromissos anteriores.
Entre as modalidades mais caras está o crédito rotativo do cartão de crédito, cujas taxas podem ultrapassar 400% ao ano. Dados do Banco Central indicam que os juros médios cobrados das famílias chegaram a 61% ao ano em março.
Diante desse cenário, o governo federal lançou o Novo Desenrola Brasil, programa voltado à renegociação de dívidas de famílias, estudantes e pequenos empreendedores. A iniciativa prevê descontos de até 90%, juros reduzidos e possibilidade de utilização do FGTS para abatimento de débitos.
O programa terá duração inicial de 90 dias e busca facilitar a regularização financeira da população, além de permitir que consumidores recuperem o acesso ao crédito.

