Em um cenário em que celulares e tablets ocupam cada vez mais espaço na rotina infantil, especialistas alertam para a importância de preservar momentos de convivência e brincadeiras presenciais. A discussão ganha destaque com a chegada de Toy Story 5, filme que retrata justamente a disputa dos brinquedos tradicionais pela atenção das crianças em uma era dominada pelas telas.
Embora a tecnologia ofereça benefícios para a aprendizagem e a comunicação, estudos indicam que ela não substitui as experiências presenciais, fundamentais para o desenvolvimento das habilidades socioemocionais.
Relatórios internacionais reforçam o alerta
Um relatório publicado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em 2025 destaca que o uso da tecnologia deve ser equilibrado com atividades presenciais, já que as interações no mundo real são essenciais para o desenvolvimento social e emocional das crianças.
A mesma preocupação aparece em um documento do Unicef, também divulgado em 2025. Segundo o organismo, brincadeiras, convivência e construção de vínculos continuam sendo experiências indispensáveis para o desenvolvimento infantil, mesmo em uma sociedade cada vez mais digital.
Amizades também são aprendidas
Para a supervisora pedagógica da Rede Fadelito de Educação Infantil, Marília Paiva, aprender a fazer amigos é uma habilidade construída ao longo da infância.
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Segundo a especialista, é durante as brincadeiras, os jogos em grupo e a convivência diária que as crianças desenvolvem competências como empatia, cooperação, comunicação, autorregulação emocional e resolução de conflitos.
“A criança aprende a se relacionar quando brinca, negocia regras, espera sua vez e enfrenta pequenas frustrações. Essas experiências fazem parte do desenvolvimento e não podem ser totalmente substituídas pela tecnologia”, afirma.
Escola tem papel importante na convivência
Além da família, a escola desempenha um papel essencial na construção das relações sociais.
No ambiente escolar, as crianças convivem diariamente com colegas de diferentes perfis, aprendem a respeitar limites, resolver conflitos e construir vínculos saudáveis.
Para Marília Paiva, a Educação Infantil vai além da preparação para a alfabetização, criando oportunidades para que os alunos desenvolvam habilidades socioemocionais que serão importantes ao longo da vida.
Como estimular mais interação entre as crianças
A especialista destaca que pequenas mudanças na rotina podem favorecer o desenvolvimento social e emocional das crianças. Entre as principais orientações estão:
- reservar tempo para brincadeiras livres, sem roteiros definidos;
- incentivar encontros presenciais com amigos, familiares e colegas;
- equilibrar o tempo de tela com atividades ao ar livre e momentos em família;
- resgatar brincadeiras coletivas, como esconde-esconde, pega-pega, amarelinha e jogos de tabuleiro;
- permitir que as crianças resolvam pequenos conflitos, sempre que o ambiente for seguro;
- dar o exemplo, reduzindo o uso do celular durante momentos de convivência familiar.
Segundo a educadora, o objetivo não é eliminar a tecnologia da infância, mas impedir que ela substitua experiências fundamentais para a formação emocional e social.

