Presentes em tratamentos para alergias, inflamações, doenças respiratórias, dermatológicas e diversas outras condições, os corticoides estão entre os medicamentos mais utilizados pela população. Apesar dos benefícios terapêuticos, o uso sem orientação médica ou por períodos prolongados pode trazer consequências graves para a saúde ocular.
O alerta é reforçado por oftalmologistas e entidades como a Sociedade Brasileira de Glaucoma (SBG) e o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), que destacam que o uso contínuo de corticoides pode elevar a pressão intraocular e favorecer o desenvolvimento do glaucoma, uma das principais causas de cegueira irreversível no mundo.
Segundo especialistas, o problema é que a doença costuma evoluir de forma silenciosa. Em muitos casos, o paciente não percebe alterações na visão até que o nervo óptico já tenha sofrido danos importantes. Por isso, o diagnóstico frequentemente ocorre em fases mais avançadas da enfermidade.
Os riscos não estão restritos aos colírios oftalmológicos. Os corticoides também podem provocar efeitos oculares quando utilizados na forma de comprimidos, injeções, pomadas, sprays nasais ou medicamentos inaláveis, especialmente quando empregados sem acompanhamento profissional ou por tempo superior ao recomendado.
De acordo com o Conselho Brasileiro de Oftalmologia, pessoas com histórico familiar de glaucoma, idosos, diabéticos e pacientes com determinadas doenças oculares podem apresentar maior predisposição a desenvolver alterações relacionadas ao aumento da pressão intraocular durante o tratamento com corticoides.
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A Sociedade Brasileira de Glaucoma ressalta que a interrupção ou a substituição do medicamento deve ocorrer apenas sob orientação médica. A automedicação ou a suspensão abrupta do tratamento também podem representar riscos à saúde.
Além do acompanhamento clínico, especialistas recomendam avaliações oftalmológicas periódicas para pacientes que utilizam corticoides de forma contínua. O monitoramento regular permite identificar alterações precocemente e reduzir o risco de comprometimento permanente da visão.
O Ministério da Saúde também reforça a importância do uso racional de medicamentos e orienta que tratamentos com corticoides sejam realizados apenas com prescrição e acompanhamento profissional, evitando complicações decorrentes do uso inadequado.
Embora sejam fundamentais para o controle de diversas doenças, os corticoides exigem atenção e responsabilidade. Para os especialistas, a prevenção continua sendo a melhor estratégia para proteger a saúde ocular e evitar danos irreversíveis à visão.

