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Exame que ajuda a detectar câncer colorretal ainda é desconhecido por 67% dos brasileiros

Mesmo sabendo que sangue nas fezes e mudanças persistentes no funcionamento do intestino podem indicar um problema grave, muitos brasileiros ainda demoram para procurar atendimento médico. O comportamento preocupa especialistas porque esses estão entre os principais sinais do câncer colorretal, o segundo tipo de tumor mais frequente no país.

O alerta é de uma pesquisa realizada pelo A.C. Camargo Cancer Center, em parceria com a Nexus, que ouviu mais de 2 mil pessoas para avaliar o conhecimento da população sobre a doença e a reação diante dos primeiros sintomas.

Os resultados mostram uma contradição: embora a maioria reconheça a gravidade dos sinais, quase metade dos entrevistados não busca ajuda médica imediatamente.

Conhecimento nem sempre se transforma em ação

Segundo o levantamento, oito em cada dez brasileiros afirmam saber que a presença de sangue nas fezes e alterações intestinais que persistem por mais de um mês merecem atenção.

Além disso, 91% dos participantes concordam, em diferentes níveis, que esses sintomas podem estar relacionados ao câncer colorretal. Mesmo assim, parte da população ainda adia a avaliação médica.

Entre os entrevistados, 9% disseram já ter percebido sangue nas fezes em algum momento. Desse grupo, 59% procuraram atendimento logo após notar o sintoma, mas 40% adotaram outras atitudes antes de buscar um profissional de saúde.

Os principais comportamentos foram:

  • 19% esperaram o sintoma desaparecer sozinho;
  • 10% adiaram a consulta por dias ou semanas;
  • 7% recorreram a mudanças na alimentação ou remédios caseiros;
  • 3% compraram medicamentos por conta própria;
  • 1% pesquisou na internet antes de procurar atendimento.

Exame ainda é pouco conhecido

A pesquisa também revelou um grande desconhecimento sobre a Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes (PSO), exame considerado uma das principais ferramentas para identificar precocemente o câncer colorretal.

Dois em cada três entrevistados (67%) disseram nunca ter ouvido falar do procedimento.

Apenas 11% já realizaram o exame, enquanto 21% afirmaram conhecê-lo, mas nunca passaram pela avaliação.

O desconhecimento é ainda maior entre pessoas de 16 a 24 anos, faixa etária em que 85% nunca ouviram falar do teste. O índice também supera a média entre homens, pessoas de menor renda e indivíduos com escolaridade até o ensino fundamental.

Diagnóstico precoce aumenta as chances de cura

O líder do Centro de Referência de Tumores Colorretais do A.C. Camargo Cancer Center, Samuel Aguiar, reforça que sintomas como sangramento nas fezes, alterações persistentes do hábito intestinal, dor abdominal contínua e perda de massa peso sem explicação não devem ser ignorados.

Segundo o especialista, a recomendação é que os exames preventivos sejam realizados a partir dos 45 anos, ou antes, quando houver histórico familiar ou indicação médica.

Ele destaca que o diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de sucesso no tratamento, tornando exames como a pesquisa de sangue oculto nas fezes e a colonoscopia fundamentais para detectar a doença ainda em estágio inicial.

Câncer está entre os mais comuns no Brasil

Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) estimam cerca de 53.810 novos casos de câncer colorretal por ano no Brasil durante o triênio 2026-2028.

Atualmente, a doença é o segundo tipo de câncer com maior incidência entre os brasileiros.

O tema ganhou ainda mais visibilidade após a morte da cantora Preta Gil, em julho do ano passado, depois de cerca de dois anos de tratamento contra a doença.

Com informações da agência Brasil

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