BrasilNúmero de famílias endividadas cresce pelo sexto mês seguido, aponta CNC

Número de famílias endividadas cresce pelo sexto mês seguido, aponta CNC

Apesar do aumento no número de famílias com dívidas, inadimplência recua levemente e fica abaixo de 30% em julho

O percentual de famílias brasileiras com algum tipo de dívida voltou a crescer e alcançou 82% em julho, o maior nível da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada nesta quinta-feira (6) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). É o sexto mês consecutivo de recorde no indicador.

Em junho, o índice era de 81,6%, enquanto, no mesmo período de 2025, estava em 78,5%.

Por outro lado, a pesquisa aponta uma leve melhora na inadimplência. A parcela de famílias com contas em atraso caiu para 29,8%, frente aos 29,9% registrados em junho e aos 30% observados em julho do ano passado.

Cartão de crédito lidera o endividamento

Entre os principais compromissos financeiros das famílias, o cartão de crédito segue como o maior responsável pelas dívidas, presente em 85,3% dos lares endividados.

Confira os principais tipos de dívida:

  • Cartão de crédito: 85,3%
  • Carnês: 16,1%
  • Crédito pessoal: 13%
  • Financiamento imobiliário: 9,6%
  • Financiamento de veículos: 9%
  • Crédito consignado: 7,1%
  • Cheque especial: 3,4%
  • Outras dívidas: 2,5%
  • Cheque pré-datado: 0,2%

Famílias de menor renda enfrentam maior dificuldade

O levantamento mostra que o endividamento continua mais elevado entre os brasileiros de menor renda.

Entre as famílias que recebem até três salários mínimos, 84,9% possuem dívidas. Já entre aquelas com renda superior a dez salários mínimos, o percentual cai para 72%.

A inadimplência também é mais elevada entre os lares de baixa renda:

  • Até três salários mínimos: 38,5% das famílias têm contas em atraso;
  • Acima de dez salários mínimos: 15,1%.

Quase um terço da renda está comprometido

Segundo a CNC, as famílias brasileiras destinam, em média, 29,5% do orçamento mensal ao pagamento de dívidas.

O tempo médio de comprometimento financeiro chegou a 7,2 meses, enquanto o atraso médio nas contas ficou em 64,6 dias, mantendo trajetória de queda iniciada em abril.

A entidade ressalta que o uso do crédito não representa, necessariamente, um problema financeiro, já que também impulsiona o consumo e movimenta a economia. O alerta surge quando as famílias passam a encontrar dificuldades para cumprir os pagamentos.

Queda da Selic pode aliviar orçamento

A divulgação da pesquisa ocorreu um dia após o Banco Central reduzir a taxa básica de juros (Selic) de 14,25% para 14% ao ano.

Para o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, a redução dos juros pode facilitar futuras renegociações e reduzir o custo do crédito, embora os efeitos não sejam imediatos.

Segundo ele, a continuidade da queda da Selic, caso a inflação permaneça sob controle, poderá aliviar gradualmente o orçamento das famílias, principalmente das de menor renda.

Projeção

A CNC estima que o percentual de famílias endividadas continuará crescendo nos próximos meses, podendo atingir 82,6% em setembro. A expectativa também é de leve aumento da inadimplência, que pode chegar a 30,3% no mesmo período.

Com informações da agência Brasil

Continue Lendo

ÚLTIMAS NOTÍCIAS