Embora a maior parte dos brasileiros considere o diálogo a melhor forma de educar crianças, práticas de violência física e verbal ainda fazem parte da rotina de muitas famílias. A constatação faz parte da pesquisa Atitudes e percepções sobre a infância e violência contra crianças e adolescentes, realizada pela Quaest a pedido do Instituto Infinis.
O levantamento revela que nove em cada dez entrevistados acreditam que conversar é a maneira mais adequada de corrigir comportamentos infantis. No entanto, 62% afirmaram já ter gritado com uma criança, 49% disseram ter dado tapas e 27% admitiram ter utilizado objetos para agredi-las. A pesquisa não investigou os fatores que explicam essa diferença entre discurso e prática, nem avaliou a influência de aspectos como estresse diário ou uso de substâncias psicoativas.
Para Márcia Kalvon, diretora executiva do Instituto Infinis, compreender essas percepções é essencial para interromper a reprodução da violência entre gerações e orientar políticas públicas de prevenção. Em nota, ela afirmou que cada criança protegida representa menos violência no futuro.
Os pesquisadores destacam que a violência contra crianças costuma atravessar gerações, sendo frequentemente reproduzida por pessoas que também sofreram esse tipo de agressão durante a infância.
A pesquisa também chama atenção para o número de denúncias registradas no país. Segundo o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, somente nos quatro primeiros meses de 2026 foram contabilizadas 115.814 denúncias de violações de direitos de crianças e adolescentes. Atualmente, o Brasil possui cerca de 55 milhões de pessoas com menos de 18 anos.
- Governo avalia recorrer ao STF contra PEC da aposentadoria de agentes de saúde por impacto fiscal
- Abono salarial 2026: pagamento para nascidos em setembro e outubro começa nesta quarta-feira
- Mega-Sena acumula e próximo prêmio está estimado em R$ 30 milhões
- TSE lança atualização do e-Título com novas funcionalidades para as Eleições 2026
- Senado aprova PEC que cria aposentadoria diferenciada para agentes comunitários de saúde e de combate às endemias
Casos extremos, como o de um pai flagrado agredindo a filha de 3 anos em uma rua de Francisco Beltrão, no Paraná, são considerados exceções, mas o estudo mostra que formas menos visíveis de violência permanecem amplamente disseminadas.
Na comparação com a primeira edição da pesquisa, realizada em 2023, houve redução nas agressões praticadas com objetos, consideradas potencialmente mais graves. Na época, 93% dos entrevistados também defendiam o diálogo como principal ferramenta de educação, enquanto 66% admitiam já ter gritado com uma criança, 52% haviam dado tapas e 38% reconheceram ter usado objetos para bater.
O levantamento ouviu 2.202 brasileiros maiores de 18 anos entre maio e junho de 2026 e também investigou como as pessoas reagem ao presenciarem episódios de violência infantil. De acordo com os resultados, 62% afirmaram que não costumam interferir. Entre esse grupo, metade considera que não deve interceder por entender que a situação faz parte da esfera privada da família. Outros disseram temer a reação do agressor.
Outro tema abordado foi o trabalho infantil. Apesar de 93% dos entrevistados defenderem que os estudos sejam a prioridade durante a infância, 61% consideram aceitável que crianças trabalhem. Além disso, 88% acreditam que adolescentes podem trabalhar se desejarem, e 71% entendem que eles devem trabalhar quando essa for a determinação dos pais.
A pesquisa também revelou baixo conhecimento da população sobre a legislação voltada à proteção da infância. Segundo o estudo, 71% dos entrevistados não conseguiram citar nenhuma lei relacionada ao tema, mesmo após discussões recentes sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) Digital.
A íntegra da pesquisa será apresentada em setembro, durante o 8º Fórum de Políticas Públicas da Saúde na Infância (FPPSI), promovido pelo Instituto Infinis.
Com informações da Agência Brasil

